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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Fruticultura Irrigada por Gotejamento

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Um dos programas que mais interessa a ENERBIOS, mas que ainda precisa ser melhor avaliado pela equipe técnica é o de fruticultura irrigada por gotejamento, aproveitando tanto a força da gravidade como a agua excedente da produção de energia, que de outra forma, verteria pelos vertedouros, durante boa parte do ano, geralmente nos meses mais úmidos.

Os avanços da região de Prudentópolis na fruticultura, principalmente do morango, a fertilidade do solo e o microclima do Vale do Rio dos Patos serra abaixo, dão razão de ser ao entusiasmo da empresa em poder colaborar com essa iniciativa, caso demonstrada sua viabilidade.

Afinal, não deve ser à toa que, em língua indígena, a palavra “Ivaí”, ( nome que o rio dos Patos assume após receber o rio São João ) significa “rio dos frutos”, mostrando a adequação do clima quente e abafao do fundo do vale para esse tipo de cultivo, hoje de grande procura, valor agregado e mercado garantido.


Entretanto, é preciso deixar claro que o programa de fruticultura irrigada apenas será implementado caso os estudos que a ENERBIOS está ainda realizando junto às prefeituras à EMATER e ao IAP, demonstrarem sua viabilidade econômica e ambiental.

Neste sentido, para ir ajudando os agricultores e demais interessados a criar um acumulo de experiência e conhecimento, o site do Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Vale do Rio dos Patos, disponibiliza os seguintes vídeos adquiridos pela empresa na sede central da EMATER em Curitiba.




Em breve disponibilizaremos o Manual de Cultivo do Maracujá, produzido pelo Ministério.

Feijão irrigado por gotejamento.


Quem teve, pela primeira vez, a ideia de aliar a irrigação ao projeto de gerar energia nas PCHs do rio dos Patos ao longo dos canais foi o Sr. João Doubchak, da comunidade de Nova Galícia, ainda em 2009, quando o engenheiro Ivo Pugnaloni, diretor presidente da ENERBIOS e responsável técnico pelos projetos o visitou em sua propriedade. 

Sua primeira preocupação, é lógico, foi a de verificar onde e qual seria a área alagada e por onde passaria o canal da PCH Km 14, onde se localizam as suas propriedades no fundo do vale. 

Tendo verificado nos mapas a ele apresentados que sua propriedade seria atingida apenas pelo canal, João Doubchak fez apenas duas exigências e um pedido, prontamente aceitos e transcritos num contrato feito à mão, que ele ainda guarda até hoje.

As exigências eram a de que a empresa reconstituísse toda a mata após a construção e uma ponte sobre o canal para poder acessar alguns “litros” de terra que embora estivesse no fundo do vale, era bem mais plana do que as demais, onde plantava excelente cultivo de feijão. 

E esse pedido foi o de que a empresa disponibilizasse agua do reservatório, através de um tubo, para o seu feijão, que às vezes sofria muito com a seca.

A ideia de João e seu pedido, por irrigação, ficaram marcados na mente de Ivo ( nome que também significa “João” no idioma iugoslavo). 

Até que, recentemente, tendo em vista a aproximação do tempo de apresentar-se os estudos ambientais, a ENERBIOS, através do Técnico Agrícola Ilor Ezequiel Pontarolo, parceiro da empresa na PCH Km 10, entrou em contato com o agrônomo José Carlos Maria, que atendeu os agricultores do município de Prudentópolis durante muitos anos. 

Ele então recomendou fortemente a realização dos estudos de viabilidade não apenas para o feijão, mas para a fruticultura irrigada por gotejamento, aproveitando a força da gravidade para economizar energia elétrica no bombeamento. Afinal José Carlos foi o introdutor da cultura do morango na região, como alternativa de renda e diversificação de atividades.

Mesmo assim, Ivo Pugnaloni não esqueceu seu compromisso com o feijão do João e afirma que o contrato escrito de próprio punho, não apenas será cumprido com ele, mas poderá ser estendido, graças à ideia pioneira e generosa de João, a todos os vizinhos da Linha Nova Galícia e Consul Pool, onde for tecnicamente possível e não prejudicar o ambiente e a geração de energia. 


“Não temos agua sobrando aqui no Vale o ano inteiro”, comenta Ivo Pugnaloni. “Ao contrário, em muitas épocas falta água. E aí a plantação sofre e a receita dos agricultores cai muito. A nossa ideia então foi armazenar a agua que sobra nas épocas das chuvas, tal como se faz no Nordeste do Brasil. Só que lá os agricultores fazem isso aproveitando apenas a pouca chuva que cai nos telhados, que é guardada em pequenas cisternas.

Aqui é muito diferente e para melhor, pois há épocas de muitas chuvas, rápidas ou demoradas, que graças à existência dos reservatórios, das APPs e dos canais de adução das turbinas, podem ser guardadas não apenas pelas usinas, mas por açudes de acumulação, situados ao lado do canal principal.

É nesses açudes que os produtores poderão armazenar a água dos períodos úmidos ou das chuvas rápidas mesmo fora de hora, para usarem nos períodos mais secos.

Para isso, estamos projetando construir, ao lado do canal principal, na região mais alta das propriedades do fundo do vale, outro canal paralelo, destinado apenas para a agua de irrigação, uma água que de outra forma, iria jorrar sem aproveitamento, pois as turbinas não são dimensionadas para elas.

Aproveitaríamos o trabalho das escavadeiras e caminhões durante a realização das obras do canal principal e ao mesmo tempo, construiríamos o canal secundário, que alimentaria os açudes de acumulação numa sequencia controlada por circuitos de telecomando.

O material resultante da escavação poderá ser usado na construção desses açudes, ao invés de ser transportado a grandes distâncias, ajudando a reduzir os custos e dando uma receita a mais para os produtores que de outra forma teriam que bombear agua do rio, com grande despesa de energia elétrica.

A irrigação pode ser decisiva assim, não apenas para servir de “seguro contra a seca” mas para tornar viável o plantio de frutas, ervas medicinais, temperos e outros produtos de grande valor agregado, permitindo que os agricultores mantenham suas propriedades, reduzindo a migração dos jovens para as cidades e a pressão para a venda das propriedades pelos pais, que sozinhos, não tenham mais condição de permanecer na terra”. 


“Quanto ao controle da água e sua repartição, esses assuntos são disciplinados no programa de usos múltiplos da água dos estudos ambientais. Envolverá a outorga de capacidade hídrica pelo Instituto das Aguas do Paraná, e sua quantidade para cada um, acertada por um termo firmado por todos os usuários e por uma decisão do Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Ivaí, do qual a ENERBIOS é membro titular, ao lado da COPEL”, afirma Ivo Pugnaloni.

Para ilustrar o poder da irrigação por gotejamento, para a produção do feijão, escolhemos esse vídeo, de uma cultura próxima ao rio Apodi, no Rio Grande do Norte, onde, mesmo bombeando água com eletricidade, a viabilidade é total.