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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O saco de maldades contra o consumidor de energia elétrica está cada vez mais repleto.


O saco de maldades contra o consumidor de energia elétrica está cada vez mais repleto. O Jornal Valor Econômico do dia 1 de outubro noticia que “As distribuidoras poderão usar empréstimo para bancar o risco hidrológico”.

Quem lê, sem informação básica sobre o setor, até acha que é uma boa notícia. Puxa, que ótimo! Empresas vão utilizar empréstimos para melhorar a gestão do negócio e se proteger do risco de hidrologias severas!

Nada disso! O empréstimo quem tomou foi você, consumidor! Quem vai pagar juros sobre kWh consumido é você, consumidor! Conseguimos algo inimaginável antes das desastrosas “reformas” feitas no setor elétrico. Na realidade, as empresas distribuidoras não conseguem mais bancar os custos através de uma tarifa fixa, como acontece com qualquer serviço público que se preze.
Ai você perguntaria: Ué? Todas as distribuidoras do país não conseguiram gerir o seu negócio? Claro que não foi uma epidemia de má gestão! As empresas ficaram descontratadas porque o governo não fez leilões viáveis para contratar fornecimento de energia no lugar de contratos que expiravam em 2013.

E por que não conseguiu? As autoridades acharam que poderiam obter preços semelhantes aos que foram firmados em 2004, quando a carga tinha encolhido 15% por conta dos efeitos póstumos do racionamento. O “mercado”, que é uma espécie de eminência parda para o atual modelo, não concordou e o leilão ficou vazio.

O mercado estava errado? Não! Eles simplesmente avaliaram que, dadas as condições atuais de oferta, o sistema apresentava sinais de que os preços iriam se elevar. Sabiam também que, ao contrário de todos os mercados de energia no mundo, o brasileiro pode apresentar diferenças de 7.000% e espantosos ganhos poderiam ocorrer. Seriam os agentes desonestos? Não! Esse é o jogo que está montado no setor elétrico brasileiro. Mesmo após as reformas de 2004!

Risco hidrológico? O que é isso? Não há contratos? Como esse risco veio parar nas costas das distribuidoras, quer dizer, dos consumidores? Como a tarifa brasileira só faz subir desde 1995, o governo, sem fazer nenhum diagnóstico, resolveu fazer uma intervenção não ortodoxa no mesmo sistema de “mercado” que ele tanto preza. Para baixar tarifa, o governo resolveu impor irrisórios custos às usinas antigas, quase todas da Eletrobras, que está praticamente quebrada. Junto, no pacote, transferiu o risco hidrológico dessas usinas para as distribuidoras, quer dizer, para os consumidores.

Mas, afinal de contas, o que é esse risco? Nesse ponto toda a virtualidade do modelo emerge grandiosa. As usinas têm um número mágico que é a energia que ela deve produzir. Está escrito na turbina? Não! Está nos geradores? Não! Está nos manuais? Também não! É uma decisão do dono da usina? Por incrível que pareça, também não! É uma conta de escritório feita por um modelo computacional do governo que, como todo modelo, pode estar errado. Pois bem, agora os consumidores também vão pagar juros sobre esse “erro”.

Fechando o pacote com chave de ouro, vem ai a bandeira tarifária. A maldade é a seguinte: Reservatório meio vazio? Consumidor paga! Reservatório vazio? Consumidor paga mais! E se os reservatórios estiverem cheios? Algum desconto? Claro que não! Nessa situação a vantagem é do mercado spot. Afinal, por que deteriorar o saco de maldades?

Fonte: Editorial - Ilumina (Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético)

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