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quarta-feira, 1 de abril de 2015

PSR afirma que problema do setor elétrico é falta de capacidade de geração e não de chuva

Fonte: Canal Energia
As constantes afirmações do governo de que o país está passando por uma crise hídrica excepcionalmente severa não corresponde à realidade, na opinião da PSR. Pelo contrário, as condições hidrológicas dos anos anteriores foram relativamente amenas. O que acontece, de acordo com a consultoria, é que o sistema de geração não é robusto, como vem sendo declarado pelo governo. Para a consultoria, o setor elétrico passa por um problema estrutural, com falta de capacidade de geração, ao invés de um problema conjuntural, que seria a falta de chuvas.


O governo vem procurando mostrar que há um excesso de capacidade em torno de 7 mil MW médios de garantia física, o que equivaleria a dizer que o país tem uma usina de Belo Monte inteira como reserva. Além disso, o risco de déficit calculado pelo governo é de que há uma probabilidade muito pequena de problemas de suprimento, mesmo que não seja tomada nenhum medida de aumento da oferta e/ou redução da demanda. Nas duas últimas reuniões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico foi divulgado que o risco de qualquer déficit no Sudeste/Centro-Oeste era de 7,3% em fevereiro e de 6,1% em março, próximos ao limite aceitável de 5%. Já os cálculos da consultoria apontavam para um déficit de 1,4 GW médios em 2015 e o risco de se decretar racionamento era maior que 50% em fevereiro.
“Na visão da PSR, os resultados tranquilizadores dos indicadores governamentais não se coadunam com os esforços do mesmo governo para aumentar a oferta – estímulo à geração diesel e gás de pequeno porte para produzir energia pelo menos oito horas por dia; importação de energia da Argentina; leilões de gás com prazos de entrega reduzidos – e promover a redução da demanda”, avalia no Energy Report deste mês. A diferença dos cálculos da PSR e do governo no que diz respeito a oferta estrutural e o risco de déficit, segundo a consultoria, acontece porque as metodologias utilizadas pelo governo são diferentes das metodologias oficiais usadas para calcular esses mesmos indicadores em estudos de planejamento.
A PSR mostrou ainda que nos últimos três anos a hidrologia não foi tão ruim como se tem afirmado e, portanto, não pode carregar sozinha a culpa do baixo nível de armazenamento. Segundo a PSR, o Brasil passou do melhor armazenamento da história em dezembro de 2012, com o nível dos reservatórios com 75% da capacidade, para o pior armazenamento em dezembro de 2014, com 22% da capacidade armazenada. O triênio 2012-2014 para a Energia Natural Afluente foi o 16º pior do histórico, longe de ser o pior do histórico. Se considerado o biênio 2013-2014, ele foi o 17º pior do histórico, e quando considerado apenas o ano de 2014, ele foi o 9º pior do histórico, ainda de acordo com a PSR.

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