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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Presidente da Eletrobras afirma que PCHs têm maior potencial de desenvolvimento em Santa Catarina

Fonte: Notícias do Dia
Márcio Zimmermann, presidente da Eletrobras, concedeu uma entrevista para o jornal eletrônico “Notícias do Dia”, e afirmou que Santa Catarina possui grande interesse no desenvolvimento de Pequenas Centrais Hidrelétricas. “Santa Catarina tem muito potencial para as PCHs e a Eletrosul está neste caminho, já prevendo novas PCHs no Estado, como em Lages para 2016″, afirmou.

O catarinense de Blumenau, Márcio Pereira Zimmermann, assume a presidência da estatal em que trabalha desde 1980, a Eletrosul, com vários desafios: expandir a transmissão de energia retomada em 1998, manter o protagonismo da empresa dentro do grupo Eletrobras em geração de energia eólica e continuar o investimento em fontes renováveis. Para isso e em meio a um momento de ajustes econômicos no país, Zimmermann aposta na expansão de termoelétricas, na construção de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) no Estado e descarta qualquer crise no setor ou perspectivas de racionamento de energia. “Não há razão nenhuma para preocupações”, garante. Confira a entrevista completa:
Com que expectativas o senhor assume o comando da empresa?
Eu estava há 14 anos fora da Eletrosul, na direção da Eletrobras, no Centro de Pesquisas e no Ministério de Minas e Energia. A convite do ministro [de Minas e Energia, Eduardo Braga], vi uma excelente oportunidade de voltar para a Eletrosul e volto com muita satisfação porque a empresa tem uma história muito bonita em seus 47 anos de existência. Chego com muito ânimo, como engenheiro da Eletrosul, poder contribuir com a experiência que ganhei fora para que a empresa continue no caminho do crescimento, tão importante para o país.
Qual o maior desafio?
A Eletrosul saiu do ramo de geração de energia na década de 90 e nos últimos anos vem retomando. Acho que a volta de transmissão e de geração de energia fica mais coerente com as outras empresas da Eletrobras e esse é o desafio. Nos últimos anos, também, a Eletrosul priorizou as fontes renováveis, na área de hidrelétricas, de pequenas centrais hidrelétricas, de usinas eólicas e até inovou com o Megawatt Solar no prédio aqui na Capital.
Fontes renováveis continua sendo a prioridade então?
Sim. A prioridade no Brasil sempre foi essa. Quando você olha o mundo, de toda a geração de energia produzida, só 20% é renovável. No Brasil, é o contrário, 80% a 90% da energia é renovável. Então, é claro que a Eletrosul  tem que seguir nesta linha.
Santa Catarina tem investido em pesquisas de fontes para diversificar a matriz energética do país. O que a Eletrosul está planejando neste sentido?
A partir de um momento que a Eletrosul assumiu um papel de protagonista do grupo Eletrobras na geração eólica, ela vem fazendo parcerias com universidades e entidades de pesquisas para evoluir na área. Isso vai continuar, até porque Florianópolis se distingue no Brasil como um centro de excelência em engenharia.
 Que tipo de investimentos na área de energia tem maior potencial para serem desenvolvidos no Estado nos próximos anos?
O Estado tem origem interessante no desenvolvimento de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), algumas idealizadas no final do século 19, início do século 20 ainda em operação. Santa Catarina tem muito potencial para as pequenas centrais e a Eletrosul está neste caminho, já prevendo novas PCHs no Estado, como em Lages para 2016.
Em meio a uma crise energética, o que o país precisa fazer para melhorar o setor?  Agora já é possível dizer que teremos racionamento no país?
Na verdade nós tivemos no ano passado a maior seca dos últimos 80 anos no Brasil. Na época, o ministro Lobão [Edson] e a presidente Dilma deram toda a liberdade para os técnicos para conduzirmos um processo e chegarmos a um bom termo. Se falava muito em racionamento e tecnicamente não havia nenhum indicativo para isso. Não havia e não houve, apesar da mídia explorar vários pseudos especialistas para dizer que teríamos racionamento.  Nós falamos que chegaríamos em novembro sem precisar racionar, até porque a decisão de racionar é uma coisa muito séria, porque se você raciona sem precisar, você causa um dano econômico para a sociedade que não é recomendável. Por isso a opção da presidente e do ministro foi o equilíbrio técnico e mostramos que estávamos certos. Este ano, de novo, nós estamos tendo uma seca bastante forte e avaliamos da mesma forma do ano passado.
Então, não há crise, nem haverá racionamento?
Não. Em 2001, ano de racionamento e pior crise no país, nós não tínhamos linhas de transmissão, por exemplo, do Sul ao Norte, Sudeste e Nordeste. O Sul jogava água fora, enquanto faltava no Sudeste, porque não tinha transmissão. De 2002 para cá, foram colocadas em torno de 50 mil linhas de transmissão e não tivemos problemas. Por isso, este ano, os riscos estão mais baixos, até mais que no ano passado, abaixo dos 5% que a gente trabalha. Não há razão nenhuma para preocupações neste ano.
Mas, por outro lado, as tarifas de energia estão muito elevadas, o que preocupa…
Nós geramos energias térmicas [termoelétricas] que permitem suportar dois a três anos de seca. Em ano seco, o Brasil produz 20% de energia térmica. Agora, isso tem um custo, porque a térmica é uma energia mais cara. No ano passado não foi repassado este custo ao consumidor, porque estávamos testando as bandeiras e no início deste ano começou-se a repassar o custo, o que impactou no bolso e obrigou o consumidor a controlar seus gastos. O custo vai baixar naturalmente quando voltar a ter regime normal de chuvas nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. A tendência é que já comece na próxima estação chuvosa.
A crise econômica e os ajustes fiscais impactam no setor energético?
A grande recomendação do ministro quando vim para cá foi a busca pela segurança energética que se resume na expansão das térmicas. As demais fontes de energia são complementares, eólica, solar, porque a eólica só gera energia quando tem vento e a solar só quando tem o sol. Um sistema renovável como o nosso vai continuar expandindo, mas é natural que cresça a parte de térmica. Há a perspectiva de que a Eletrosul  volte a trabalhar com térmicas.
Então não tem crise?
Quando você vai para a Suíça, Inglaterra, Alemanha, percebe que há 20 anos o mercado de energia elétrica não muda. Por quê? Porque todo mundo lá o que tem para consumir, já consumiu, tem televisão, ar condicionado,  enfim, tudo. O consumo per capita na Europa é em torno de 8 mil kilowatt hora ao ano. No Brasil são 2.500 e nos  Estados Unidos de 13 a 14 mil. Então, aqui, temos que fazer muitas usinas porque o consumo per capita vai aumentar, à medida que o Brasil vai desenvolvendo. Não é difícil projetar que vamos dobrar o consumo nos próximos 20, 30 anos, chegando a 6 mil kilowatt hora per capita. O caminho é de crescimento, há espaço, tem mercado. Este é o desafio e a Eletrosul via disputar esse mercado com o setor privado.
 Em fevereiro o senhor renunciou ao cargo no conselho de administração da Petrobras. Por que? As denúncias de corrupção dentro da empresa motivaram sua saída?
Na Petrobras, o que eu disse na época é que os meus afazeres no Ministério e no conselho da Eletrobrás dificultava o meu acompanhamento na Petrobras, num momento em que a empresa precisava de muita dedicação. Aí eu realmente pedi a renúncia.
O senhor está sendo investigado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pela suspeita de ter induzido investidores da Petrobras ao erro. Qual é a posição do senhor sobre isso?
Procuro não tratar desses assuntos, porque isso a Petrobras está tratando e é ela que responde. Não tem nada disso que estão falando e é até normal quando você é um conselheiro de uma empresa com ações na bolsa. Eu evito comentar para não atrapalhar o que a empresa está fazendo.
É possível reestabelecer a credibilidade da Petrobras?
Acho que sim, a Petrobras é um dos maiores casos de sucesso que eu já vi. Tive a honra de participar cinco anos do conselho da empresa que inverteu a “fama” do Brasil na década de 70 de não ter petróleo –  o país importava 80% dele –  e ganhou expertise se transformando na empresa especialista em exploração de petróleo offshore [no mar].

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