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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Previsto para 2019, preço horário pode reduzir encargo no setor elétrico



As instituições responsáveis pela organização do setor elétrico brasileiro estão em uma corrida para conseguir implantar no mercado o preço horário de energia. A meta é que essa nova sistemática entre em vigor em janeiro de 2019. Objetivo é obter uma sinalização econômica mais aderente à necessidade operativa do sistema elétrico, que tem passado por uma transformação nos últimos dez anos com a introdução de novas tecnologias de geração.


Segundo Rodrigo Sacchi, gerente de Preços da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a partir de simulação feita pela instituição, há expectativa que a nova metodologia contribua para a redução do Encargo de Serviço do Sistema (ESS), este que é gerado pelas térmicas despachadas fora da ordem de mérito. Na simulação feita, com base em junho de 2017, o ESS que foi de R$ 139 milhões seria de R$ 2 milhões com o preço horário.




Contudo, pelas novas regras de governança do setor elétrico, para que uma mudança estrutural seja implementada no mercado, esta precisa ser aprovada com pelo menos 6 meses de antecedência. Isso significa aprovar até julho de 2018. A CPAMP precisa aprovar a nova metodologia a ser utilizada na programação da operação e formação de preço.



Atualmente, o Brasil adota a formação do preço semanal, representado pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), publicado as sextas-feiras pela CCEE.



“Acreditamos que esse é o caminho, sair do preço semanal para o preço horário”, disse Luiz Eduardo Barata, diretor geral do Operador Nacional do Sistema (ONS). “A nossa intenção é concluir esse processo o mais rápido possível, para que os agentes possam praticar com antecedência e quando a gente chegar em janeiro de 2019 essa prática estar bem exercitada.”




Pelo cronograma, entre abril e dezembro de 2018, será colocado em operação o “PLD Horário Sombra”. Esse preço será utilizado para testes e adaptação dos agentes, funcionando em paralelo com o PLD semanal oficial, válido para liquidações financeiras do mercado de energia.



Segundo ngela Levino, assessora da presidência da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e coordenadora do Grupo de Trabalho na CPAMP, aprovação da metodologia do preço horário “é a maior prioridade”. Para ela, o maior desafio está relacionado ao rigor do processamento e organização dos dados para serem utilizados na formação do preço.



Transformação do setor



Christiano Vieira da Silva, superintende de Regulação Dos Serviços de Geração da Aneel, lembrou que o setor elétrico passa por profunda transformação, com perda de capacidade de armazenamento, dificuldade de recuperação dos reservatórios, expansão das renováveis intermitentes (eólica e solar) e da geração distribuída, além da introdução de tecnologias relacionadas a redes inteligentes, armazenamento de energia e veículos elétricos.



“Operar o sistema está cada vez mais complexo… O paradigma do passado era uma carga estocástica, que era despachada pelo ONS. Hoje você tem uma geração variável”, reforçou o representante da Aneel, durante participação em evento em São Paulo promovido pela CCEE, com o objetivo de discutir a implementação do preço horário. “A gente não pode nunca falar de preço horário sem falar de despacho eficiente. O preço tem que refletir esse despacho ótimo”, completou.




O gerente executivo do ONS, Mário Daher, lembrou que desde 1998 que havia a previsão de implementar o preço horário no Brasil. A expectativa era que a regra estivesse em operação em 2004, porém na época “não havia o apelo que hoje tem”.




Para ele, o preço horário vai permitir redução da geração térmica na ponta. “O desafio é o conjunto de informação que é gigantesco”, disse. Para Rafael Ferreira, também assessor da presidência da EPE, o preço horário é o primeiro passo para a modernização do setor elétrico brasileiro.



Na opinião de Mário Veiga, presidente da PSR, o sucesso dessa nova metodologia vai depender da credibilidade dos preços no mercado de curto prazo, bem como a transparência na formação de preços. O PLD horário está sendo discutido dentro da consulta publica n° 42/2017, aberta pelo Ministério de Minas e Energia (MME).





Fonte: Canal Energia

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